O pior da nossa situação atual é que as previsões são tão contraditórias. Estou a receber mensagens da minha amiga Jutta, que utiliza a aplicação alemã; aparece alguém avisando que mais duas tempestades estão a caminho; o IPMA diz que serão apenas ventos de 15 km/h com aguaceiro torrencial …
Este tempo está a deixar todos os meteorologistas incapacitados
Só que eles estão figurativamente perplexos, e nós estamos literalmente perplexos. Recebemos um alerta, claro, obrigada governo, muito atencioso, mas também tínhamos recebido um para a Tempestade Ingrid. E dormi durante toda a tempestade com a janela (do lado de onde vem o vento) basculante. Depois veio a irmã Kristin, que deveria passar a 140 km/h, mas pelos vistos, não contaram com o seu mau humor!
Meu Deus, esta foi completamente diferente! Fui dormir com as portas trancadas, mas com a janela aberta, como habitual, porque não havia sequer uma brisa. Até ao meio da noite, dei por mim a lutar com os chinelos encharcados para fechar a porta que tinha sido arrombada. Por sorte, havia algo para a bloquear devidamente, e Broes veio ajudar, mas depois disso, já não se dorme em condições.
Talvez a culpa seja minha, porque Broes falou-me no dia seguinte: “Estou de volta à cama, ouço as telhas a cair e penso: ‘Que belo trabalho para os Broes amanhã’.” Quanta racionalidade!

Graças a Deus, não foi incapacitado pelo vento
Uma tempestade como aquela dura algumas horas, depois todo o ar disponível desaparece. Aí não sobra nada para mexer, e a Kristin continuou a uivar por outro lado. Na manhã seguinte, durante a inspeção, fiquei chocada. A Kristin arrombou a porta lateral da Casa Principal, arrancou o teto daquela divisão, tocou no teto do corredor e das divisões adjacentes, e destruiu metade do telhado.
Olhei para o céu a partir do corredor. Certo … não eram 140 km/h, pois não? Soube depois pelo anterior presidente da Junta de Vinha da Rainha, que passou por lá para verificar se estava tudo bem, falou-me que em Soure tinham sido registados 208 km/h. Antes do instrumento de medição voou com a Kristin. Estamos a 14 km de Soure, pelo que fomos atingidos em cheio.
Neste caso, podia dizer-se que tivemos sorte. Podia ter sido pior. No dia seguinte estava seco e quase sem vento, graças a Deus. O meu filho Broes e o nosso amigo Marc conseguiram fechar o telhado da Casa Principal utilizando todas as telhas velhas que tínhamos por perto, bem como bastante plástico e espuma. Eu e o Mário remendámos os buracos mais pequenos nos telhados dos quartos do hotel e da antiga recepção, e continuámos com o telhado do balneário, que também ficou completamente destruído. Um dia longo, mas conseguimos fechar quase tudo. Continuamos no dia seguinte. Todas as portas foram bloqueadas, todos os buracos expostos ao vento foram fechados, e depois começou.
Talvez mais vento. Esperando. Talvez mais tempestades. Boletins meteorológicos. Notícias de amigos e passantes. Sem luz, sem internet, apenas chuva e vento, porque havia mais vento, mais chuva, mais tempestades. Mas quando? E com qual força?
Meteorologistas do mundo, uni-vos!
Estes boletins contraditórios estão a matar-nos. Fica-se deitado na cama, totalmente preparado, à espera do primeiro trovão e relâmpago, mas nada acontece. Ou está completamente despreparado para as próximas fortes correntes de ar e nuvens que se dissipam. Até agora, os boletins meteorológicos alemães têm-se revelado os mais fiáveis, aliás … pontuais como sempre.

Já passaram quase duas semanas. Tudo no salão do balneário está sobre pedras, mas felizmente o nível da água baixou um pouco. No fim de semana passado, estava deitada num sofá algures, com tampões nos ouvidos e completamente vestida, debaixo de um edredão, pronta para … para quê? Quando está tempestuoso, é melhor não sair de casa para conduzir. Aliás, agora sei que o som de um carro a aproximar-se é o mesmo de uma rajada de vento.
Que situação de arrepiar os nervos
Mas pronto, estamos a caminho de tempos melhores. Procurar o forro de prata das coisas. O Broes é ótimo em crises, um pilar de força. Felizmente, isso não acontece no Outono, porque aí ainda temos um Inverno inteiro pela frente. Graças a Deus, voltamos a ter luz e net. Muitas pessoas foram muito mais afetadas, mas provavelmente já viu isso nas noticias.
Não estou a ver as notícias. Cada minuto, cada dia seco e sem vento é muito bem-vindo. E ainda não acabou …
N.B. Este é o blogue do domingo passado, dia 8 de Fevereiro, que não foi publicado no dia certo. O post de 1 de Fevereiro já está disponível. Se quiser ler o blogue anterior, clique aqui em baixo.
.
(Aviso: estou um pouco cansado desta coisa das palavras-chave e da ditadura do Google. Por isso, aqui estão elas, e também espero pela inteligência da IA este assunto que ainda sejam encontradas e lidas, mas que não tenha de me forçar a usar os termos certos no título e nos cabeçalhos. #Kristin #tempestade #meteorologistas )
Nos mudámos em 2000 de Roterdão, Países Baixos, para Termas-da-Azenha, Portugal. Começámos a restauração uma das heranças culturais portuguesas: Termas-da-Azenha, um antigo spa. Vai encontrar mosaicos e pinturas em todos os lugares. Desde Covid alugamos normalmente aos inquilinos, para um longo período de tempo.
Todas as semanas, um pequeno blog sobre o que está a acontecer ao nosso redor. Uma leitura fácil. Uns minutos noutro mundo. Um pouco sobre o que se passa em Portugal.
Nos fins-de-semana publicamos o na nossa página do Bluesky, Facebook, Pinterest e Instagram.
