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Renovar até não aguentar mais

A nossa cozinha estava com algumas fissuras. É assim mesmo em edifícios antigos, pensei. O balneário tem mais de cem anos, e as ampliações datam certamente de antes de 1953.

Antes dessa data, podia construir e renovar o que quisesse

Ninguém se importava. Antes de 1953, não era obrigatório ter projetos de arquitetura, contratar engenheiros, registar a documentação na Câmara Municipal, e certamente não tinham de dar permissão para renovações.

A construção estava a todo o vapor. E, segundo a boa e velha tradição portuguesa: começa-se por uma casa básica com cozinha e algumas divisões, e quando junta-se algum dinheiro, acrescenta-se uma divisão. Assim, pode ter um núcleo com ampliações em todos os lados, cada uma com a sua função e história.

Foi exatamente assim que surgiu o núcleo da nossa aldeia: o balneário. Tudo começou há muito tempo, por volta de 1711, com uma casa e banheiras de madeira. Foi nesta altura que um certo Doutor Fonseca escreveu um tratado sobre o tratamento das doenças de pele com esta água. No final do século XIX, Dom Henriques Foja Oliveira mandou construir um robusto edifício de pedra com paredes grossas, 16 casas de banho e um salão, com uma fundação onde a água era engenhosamente fornecida e drenada através de um sistema de paredes de alvenaria.

As coisas correram bem e, passado algum tempo, foi acrescentada uma entrada principal, com um consultório médico, e do outro lado do edifício. Depois outra extensão, que incluía um tanque de peixes interior. Em 1969, foi acrescentado um segundo piso e, pouco depois, três telhados com beirais.

Agora lavamos roupa no consultório médico, e no outro lado está o atelier de mosaicos, que durante anos funcionou como “o Pequeno Café” (fechado por causa da C-rise), e o resto tornou-se a nossa entrada principal com a cozinha adjacente. Quando o filho mais velho, Fausto, nos veio visitar, a primeira coisa que exclamou foi: “Epa, vocês precisam mesmo de fazer alguma coisa a esta cozinha! Olhem, aquele canto tem uma fissura grande, e o outro lado não está muito melhor!”

Isto significa renovar à séria …

Oi. Mas, pois bem, quando se tem razão, tem-se razão. Tinha visto aquelas fissuras, claro, mas fui adiando … um dia vou resolver, não vai ficar assim tão mau, paredes grossas, já vi pior. Mas aí já não pude ignorar. Isso significava encontrar um empreiteiro que desse conta do recado. Conseguimos fazer muita coisa sozinhos, mas isso é demais. Precisa de experiência, força, boas ferramentas, mas a experiência, principalmente, é fundamental.

É preciso conhecer os próprios limites, como aprendi durante a renovação anterior

A porta da frente teve um papel fundamental nisso, e acredite: fazer uma boa porta da frente não é fácil. (Mas é possível!)

Por sorte, encontrei estes campeões. Pai e filho Simões, além de um funcionário que trabalha com eles toda a vida. Têm muita experiência, força física também, e o olhar experiente do pai percebeu logo a melhor forma de resolver o problema. Sem rodeios, sem golpes descarados a aproveitarem-se da sua ignorância ou incompetência, apenas trabalho artesanal de qualidade.

O filho mede a coluna e a base

(Aviso: estou um pouco cansado desta coisa das palavras-chave e da ditadura do Google. Por isso, aqui estão elas, e também espero pela inteligência da IA este assunto que ainda sejam encontradas e lidas, mas que não tenha de me forçar a usar os termos certos no título e nos cabeçalhos. #renovar #construtor #Portugal )

Nos mudámos em 2000 de Roterdão, Países Baixos, para Termas-da-Azenha, Portugal. Começámos a restauração uma das heranças culturais portuguesas: Termas-da-Azenha, um antigo spa. Vai encontrar mosaicos e pinturas em todos os lugares.

Desde Covid alugamos normalmente aos inquilinos, para um longo período de tempo.

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