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Campistas inesperados

Anteontem, uma caravana apareceu de repente na estrada com um carro branco novo estacionado à frente. Uma caravana pequena e muito simpática, um pouco arredondada, com a parte inferior azul.

Campistas inesperados são sempre bem-vindos

O dono aproximou-se para perguntar se podia acampar. Normalmente, a resposta é: “Claro, vem comigo e eu mostro-te onde fica tudo.” – mas desta vez tive de o desiludir. Estamos em pleno Inverno, está a chover e o terreno está sem cortar a relva e intransitável.

“Há alguma coisa por perto?”, perguntou. Sim, há um parque de campismo a sério (1) a 15 km daqui, mas também está fechado. Ficámos conversando por uns minutos. Começou a chuviscar outra vez, e também eu tinha nada positivo para relatar, por isso sugeri que fôssemos até à cozinha, e talvez ele quisesse um café?

Na verdade, não há nenhum parque de campismo aberto nesta altura do ano

Os campistas inesperados acabaram por ser ele e a sua simpática caravana, à procura de uma ruína para renovar e, de preferência, viver fora da rede elétrica, com painéis solares, baterias e tudo o mais. Que coragem! Por acaso, conheço uma casa abandonada na aldeia vizinha. Ele queria dar uma vista de olhos.

Os avós do João Pedro adquiriram esta casa há muito tempo, com muito esforço e sacrifício, e nela viveram toda a sua vida. No final, a avó ficou sozinha, e o filho Luís e a sua família mudaram-se para lá. A avó teve alguns problemas de saúde, e foi assim que tudo se encaixou na perfeição.

Ainda não é incomum em Portugal que um dos progenitores sobreviventes mude se para casa de um filho, ou vice-versa. Agora a avó também faleceu, os filhos cresceram e a casa está abandonada há alguns anos. “É melhor venderes”, já tinha avisado o meu filho adotivo, JP, várias vezes, “a situação não vai melhorar”. É claro, sem tempo, trabalho, vida; e três filhos e uma mãe têm de chegar a um acordo.

Existem mais ruínas em Pedrógão, tal como em todas as outras aldeias de Portugal. Muitas vezes degradadas, quase em ruínas, porque já ninguém sabe a quem pertenciam. Ou o único herdeiro sobrevivo mudou-se para o estrangeiro, sem deixar rasto. Ou um herdeiro recusa-se a dar autorização, e aí não pode prosseguir. Ou simplesmente não há mais ninguém. Assim a casa vai desmoronando aos poucos, e assim, volta a ser entregue à natureza.

Finalmente, o inesperado campista instalou-se no nosso monte para passar uma noite. Essa noite transformou-se em três, porque o seu entusiasmo só aumentava. “Que zona de caminhadas linda!”, exclama ele ao ver-me novamente, “e que mosaicos lindos que fizeste por todo o lado! Também espreitei lá atrás…” e aponta para o pátio com a piscina.

Por volta das cinco horas, abrimos uma boa garrafa e conversámos à tardinha. Há muitas histórias para contar. Uma coisa posso afirmar: trata-se de alguém com muito pouca experiência em Portugal.

E continuaremos com este assunto na próxima semana

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(1) Realço sempre que é apenas o básico, e geralmente muito tranquilo. Há um grupo de pessoas que realmente aprecia, mas se gosta de um pouco de agitação, um restaurante e uma piscina, outros campistas para conversar ou atividades organizadas, então este não é o lugar para si.

(Aviso: estou um pouco cansado desta coisa das palavras-chave e da ditadura do Google. Por isso, aqui estão elas, e também espero pela inteligência da IA este assunto que ainda sejam encontradas e lidas, mas que não tenha de me forçar a usar os termos certos no título e nos cabeçalhos. #campismo #caravana #comprarcasaPortugal )

Nos mudámos em 2000 de Roterdão, Países Baixos, para Termas-da-Azenha, Portugal. Começámos a restauração uma das heranças culturais portuguesas: Termas-da-Azenha, um antigo spa. Vai encontrar mosaicos e pinturas em todos os lugares. Desde Covid alugamos normalmente aos inquilinos, para um longo período de tempo.

Todas as semanas, um pequeno blog sobre o que está a acontecer ao nosso redor. Uma leitura fácil. Uns minutos noutro mundo. Um pouco sobre o que se passa em Portugal.

Nos fins-de-semana publicamos o na nossa página do Bluesky, Facebook, Pinterest e Instagram.

1 thought on “Campistas inesperados”

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